A arte argentina caracteriza-se pela sua precoce integração nos movimentos de vanguarda internacionais e por uma profunda tradição de engajamento político. Desde o início do século XX, Buenos Aires foi um laboratório da modernidade: o Grupo Florida e o Grupo Boedo polarizaram o debate entre arte pura e arte social. Antonio Berni (1905-1981) personificou essa tensão como poucos: sua série Juanito Laguna retratou a pobreza das crianças nas favelas com uma sensibilidade que combinava realismo social e experimentação material. Xul Solar criou universos fantásticos com sua linguagem singular, enquanto Emilio Pettoruti introduziu o Cubismo no país. Durante a ditadura (1976-1983), a arte tornou-se um espaço de resistência: as Mães da Praça de Maio, com seus lenços brancos na cabeça, as intervenções urbanas e as obras de León Ferrari — que utilizou a escrita como arma de denúncia — definiram uma estética da memória. Hoje, artistas como Marta Minujín, com seus happenings monumentais, e uma nova geração que aborda questões de gênero, tecnologia e a crise ecológica, mantêm viva essa tradição de experimentação e engajamento.
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