O artista argentino Guillermo Kuitca tem utilizado a cartografia e as plantas arquitetônicas para explorar temas como memória, identidade e solidão. Suas pinturas frequentemente apresentam mapas urbanos, plantas de teatros ou diagramas de camas — contudo, despojados de sua função técnica, esses elementos tornam-se palcos carregados de um profundo peso emocional. Na obra de Kuitca, o mapa não serve como ferramenta de orientação, mas sim para ilustrar a desorientação do indivíduo no mundo moderno. Por meio da repetição de formas e do uso de cores atmosféricas, ele cria espaços que oscilam entre o público e o privado, entre a história coletiva e a experiência pessoal. Suas instalações de camas pintadas com mapas percorreram o globo, simbolizando a jornada, o refúgio e a fragilidade da existência humana. Kuitca é um mestre em capturar a melancolia do espaço habitado, transformando a superfície da tela em um território onde o espectador pode se perder na busca por seus próprios limites geográficos e mentais.
Latamarte