Joaquín Torres-García é, sem dúvida, uma das figuras mais influentes do modernismo artístico latino-americano. Após retornar a Montevidéu na década de 1930, fundou o "Universalismo Construtivo", uma teoria estética que buscava reconciliar as tradições ancestrais dos povos indígenas das Américas com a vanguarda geométrica europeia. Para Torres-García, a arte não deveria ser uma imitação da realidade, mas sim uma estrutura harmoniosa regida pelas leis da proporção áurea. Suas famosas estruturas em forma de grade, povoadas por símbolos como o sol, o peixe, o homem e a flecha, atuam como uma linguagem universal que conecta o espiritual ao material. Através da Associação de Arte Construtiva e da Oficina Torres-García, formou uma geração de artistas que aprenderam a ver a geometria não como algo frio, mas como a alma do cosmos. Sua proposta "Norte-Sul" inverteu o mapa tradicional da arte, posicionando a América Latina como um centro autônomo e poderoso de criação. Seu legado nos lembra que a abstração pode ter raízes profundas e um significado humano profundo que transcende fronteiras temporais e geográficas.
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