A ascensão da tecnologia e da sociedade de massas foi um dos principais temas que permearam a arte moderna. Os artistas modernos não foram meros espectadores da revolução industrial e da urbanização; muitos se fascinaram por máquinas, velocidade e novas mídias, enquanto outros as criticaram veementemente por seus efeitos desumanizadores.
O Futurismo italiano, liderado por Filippo Tommaso Marinetti, foi talvez o movimento que mais exaltou a tecnologia. Em seu manifesto de 1909, Marinetti proclamou que "um automóvel estrondoso que parece funcionar com estilhaços é mais belo que a Vitória de Samotrácia". Os futuristas celebravam a velocidade, a violência e a guerra como meios de expurgar o velho mundo e buscavam traduzir o dinamismo da vida moderna em suas obras por meio de linhas de força, cores vibrantes e composições fragmentadas.
Em contraste, movimentos como o Dadaísmo e o Surrealismo expressaram uma profunda desconfiança em relação à tecnologia e à racionalidade, que, em sua opinião, haviam levado à catástrofe da Primeira Guerra Mundial. Duchamp, com seus readymades, questionou a sacralidade do objeto de arte em uma era de produção em massa, enquanto os surrealistas exploraram o inconsciente e os sonhos como refúgios de um mundo cada vez mais mecanizado e alienante.
A fotografia e o cinema, por sua vez, transformaram radicalmente a maneira como vemos e representamos o mundo. Artistas como Man Ray experimentaram com a fotografia sem câmera (raiografias), enquanto o cinema se tornou um laboratório para novas narrativas visuais. A reprodução técnica da obra de arte, analisada por Walter Benjamin em seu famoso ensaio de 1936, questionou a própria noção de originalidade e autenticidade, abrindo caminho para a arte conceitual e a cultura de massa.
Na América Latina, artistas como Joaquín Torres García e Xul Solar buscaram integrar tecnologia e espiritualidade em suas obras, criando sistemas simbólicos que combinavam geometria, astrologia e tradições ancestrais. A arte moderna, em última análise, foi um reflexo das contradições de seu tempo: celebrou as possibilidades libertadoras da tecnologia ao mesmo tempo que denunciava seus perigos, e lançou as bases para debates que permanecem urgentes ainda hoje, na era digital.
Arte moderna