No ano de seu 25º aniversário e no contexto da 35ª Feira de Arte Contemporânea arteBA, o Malba anuncia a incorporação à sua coleção da pintura Paraíso (1984), da artista argentina Diana Aisenberg, graças ao Comitê de Aquisições do museu.
Buenos Aires, 28 de outubro de 2026 — No ano de seu 25º aniversário e no contexto da 35ª Feira de Arte Contemporânea arteBA, o Malba anuncia a incorporação à sua coleção da pintura Paraíso (1984), da artista argentina Diana Aisenberg, graças ao Comitê de Aquisições do museu. Diana Aisenberg (Buenos Aires, 1958) é artista visual, docente e pesquisadora, e ocupa um lugar central na historiografia da arte contemporânea argentina. Sua produção abrange pintura, desenho, performance e instalação, além de projetos colaborativos que se articulam com um extenso trabalho pedagógico: uma prática pioneira que vincula criação artística, ensino e construção coletiva do conhecimento, e que tem contribuído para a formação de gerações de artistas desde os anos 80 até hoje.
Paraíso (1984) fez parte da primeira exposição individual da artista, *Mujeres, niñas, reinas*, realizada na Galeria Adriana Indik — um espaço que abrigou inúmeros projetos experimentais da jovem geração durante os anos do retorno da Argentina à democracia. Esta exposição constituiu um importante cartão de visitas de Aisenberg, que se formou em Israel — onde viveu entre 1976 e 1982 — e, a partir de sua chegada a Buenos Aires, conquistou seu espaço na cena artística por meio de uma intensa participação em prêmios e exposições coletivas. Nessas ocasiões, ela esteve ao lado de artistas e escritores como Guillermo Kuitca, Luis Frangella, Gustavo Marrone, Elba Bairon, Emeterio Cerro, Arturo Carrera e Rosario Bléfari, entre muitos outros que marcaram a prolífica produção dos anos 80.
A exposição *Mujeres, niñas, reinas* combinou pintura e performance: as obras em acrílico eram acompanhadas por “números vivos” — como a artista os chamava —, inspirados nas pinturas e interpretados por um grupo de atores a partir de um roteiro coreográfico. A mostra evidenciou o interesse de Aisenberg pela integração entre disciplinas, pelo teatro expandido e pelo trabalho processual e coletivo.
“A obra de Diana Aisenberg faz sentido para a Coleção Malba por muitas razões. Não apenas porque *Paraíso* nos permite reconstruir, com maior pluralidade, a cena argentina dos anos 80, mas também porque Diana é uma figura-chave na formação de muitos jovens artistas. E isso compõe uma trama muito consistente dentro da narrativa da nossa arte”, explica María Amalia García, curadora-chefe do Malba. Por sua vez, Elena Nofal, diretora de Desenvolvimento do museu, destaca: “No ano em que o Malba celebra seu 25º aniversário, orgulhamo-nos de continuar acompanhando a arteBA, uma feira com a qual o museu mantém um vínculo contínuo desde 2004. Esse compromisso fortaleceu-se em 2012 com a criação do Comitê de Aquisições, que, desde então, tem contribuído ininterruptamente para o crescimento do nosso acervo de arte latino-americana. Graças à generosidade e ao compromisso de seus membros, incorporamos à coleção esta obra de Diana Aisenberg — uma artista fundamental da cena local —, que muito em breve poderá ser apreciada por todo o público no museu”.
*Paraíso* apresenta a exploração do performativo em suas figuras — dotadas de traços evasivos e vestimentas antigas inspiradas na história da arte ocidental —, dispostas sobre um fundo abstrato que intensifica o caráter fictício do cenário onde a ação se desenrola. A obra responde aos interesses de uma época marcada por grande efervescência experimental e antecipa muitas das chaves da pintura que a artista vem desenvolvendo desde então: suas obras são expressivas — revelando emoções específicas — e gestuais, deixando transparecer o rastro da pincelada.
Além disso, a obra traz uma marca mística recorrente no trabalho da artista, repleto de referências à arte clássica e a relatos bíblicos, o que confere um caráter sacro às suas figuras — pessoas, animais, flores, alimentos, formas básicas — e uma qualidade ritual aos seus processos. A peça também estabelece diálogos entre a figuração e a abstração, entre a pintura e a literatura, e entre o simbolismo e a exacerbação da realidade.
*Paraíso* insere-se em um período crucial de transição entre a ditadura cívico-militar na Argentina e a retomada da democracia. Um momento propício para o surgimento de espaços alternativos, a formação de grupos de artistas e uma intensa experimentação que atravessou a pintura, o teatro, a música e a performance. Como parte da coleção do Malba, esta obra — a primeira da artista a ser incorporada ao nosso acervo — permite reconstruir esse cenário em diálogo com obras de artistas como Guillermo Kuitca, Marcia Schvartz, Santiago García Sáenz e Pablo Suárez, entre outros.