Exposição no Coade em Badajoz Lembra as Vítimas de Minab

Exposição no Coade em Badajoz Lembra as Vítimas de Minab

Arte da Extremadura Alça a Voz Contra a Barbárie: Exposição no Coade em Badajoz Lembra as Vítimas de Minab
O Colégio Oficial de Arquitetos da Extremadura (Coade), em Badajoz (Espanha), acolhe uma mostra coletiva profundamente emocionante, promovida pela Amnistia Internacional. Não se trata de apenas mais uma inauguração; é um exercício de memória, denúncia e compromisso social após o trágico ataque a uma escola primária no Irão.

Um total de 16 artistas profissionais e alunos de duas escolas secundárias da região uniram-se neste projeto para dar visibilidade aos horrores da guerra e garantir que as vítimas não caiam no esquecimento.



🖤 A Origem: O Bombardeamento de um "Espaço de Cuidado e Aprendizagem"
A exposição nasceu da dor e da indignação após o terrível ataque ocorrido a 28 de fevereiro na localidade iraniana de Minab. Um míssil atingiu uma escola primária, provocando a morte de 168 pessoas, entre as quais 110 menores.

"Uma escola é um espaço de cuidado e aprendizagem, não pode transformar-se numa armadilha mortal", sublinha Remedios Tierno, porta-voz da Amnistia Internacional na Extremadura.

A organização utiliza este espaço cultural para exigir uma investigação internacional independente que apure as responsabilidades deste ataque contra a população civil.



🎨 O Arte como Ponte de Empatia Global
Um dos maiores desafios da exposição é romper as barreiras geográficas e aproximar uma realidade distante do público local. O objetivo é despertar a empatia: entender que aquelas vítimas civis do Médio Oriente poderiam ser vizinhas de qualquer cidade europeia ou latino-americana.

Sutileza Diante do Horror: As obras de pintura, fotografia e desenho não recriam a violência de forma explícita. Em vez disso, utilizam o simbolismo (flores murchas, cenas que evocam a ausência) para gerar um percurso emocional sutil, mas impactante.



Arte Solidária: Todas as peças dos artistas profissionais estão à venda pelo preço simbólico de 100 euros. A arrecadação será revertida integralmente para financiar as investigações de direitos humanos da Amnistia Internacional.

Compromisso Geracional: Estudantes do ensino secundário artístico de Badajoz e Plasencia participam ativamente, trazendo frescura e uma perspectiva jovem à tragédia.

💬 "Queremos um Depois": A Voz dos Estudantes
A participação dos jovens criadores do IES Reino Aftasí (Badajoz) e do IES Sierra de Santa Bárbara (Plasencia) transformou este projeto numa ferramenta pedagógica de pensamento crítico.

Os estudantes desenvolveram:

Postais com Silhuetas: Desenhos de meninas acompanhados por mensagens sobre os seus sonhos interrompidos, escritos em vários idiomas. Destaca-se a frase: "As meninas de hoje querem um depois".

Dioramas e Relatos Sonoros: Peças conceituais de áudio e maquetes que recriam de forma imersiva as experiências de quem vive sob o conflito bélico.

🏛️ Uma Pergunta Incómoda para a Sociedade
A exposição encerra com uma reflexão incómoda, mas extremamente necessária, sobre a passividade cidadã perante as barbáries internacionais. A própria artista Lourdes Murillo dá à sua obra o título de uma pergunta que interpela diretamente o espetador:

"O que diremos quando nos perguntarem o que fizemos?"

A mostra no Coade demonstra que a arte contemporânea continua a ser um dos altifalantes mais potentes para defender os direitos humanos e manter viva a memória daqueles que o mundo esquece depressa demais.

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