O MPPM associou-se, uma vez mais, ao evento Arte pela Palestina e esteve presente na 5ª edição que decorreu entre 14 e 17 de Maio.
Nesta edição levámos à Casa do Comum a exposição «As Crianças de Gaza: Infância Interrompida», uma produção conjunta de This Is Palestine e Visualizing Palestine que o MPPM adaptou para português. Nesta exposição documentamos a vida interrompida de uma geração, mostrando as barreiras que regem as crianças palestinas desde o momento em que nascem.
A exposição está repartida por quatro espaços temáticos. Começa com o registo dramático das vozes das próprias crianças — não como vítimas, mas como detentoras do seu próprio destino.
Jovens que estão agora a sair da adolescência, têm agora «Seis Guerras de Idade» e nunca conheceram outra realidade.
Na Palestina, «crescer» não é uma progressão natural; é um acto desafiador de sobrevivência, como mostramos nas Realidades Quotidianas, onde a fome é uma arma de guerra e o acesso à água é feito gota a gota. E em Alvejar a Infância mostra-se como o assassinato de crianças é premeditado.
Como complemento da exposição, no sábado, 16 de Maio, promovemos um debate, com a participação de Carlos Almeida e Elena Probst, do MPPM, e Rebeca Gouveia, dos Parents for Peace Portugal, com o tema «As Crianças de Gaza: Esperança Renascida».
A abrir mostrámos a curta «In Gaza Pìetas», do realizador italiano Diego Manfredini, que animou desenhos de crianças palestinas realizados no espaço HeART of Gaza «para dar voz à sua imaginação, esperança e dor».
Desde 7 de Outubro de 2023, mais de 20.000 crianças palestinas foram mortas, quase 60 000 perderam um ou ambos os progenitores. O número de crianças amputadas é superior a 4000 e mais de 600.000 viram a sua educação interrompida. Neste cenário desolador as crianças precisam de ter esperança num futuro diferente.
Por isso, falámos também do projecto «Swim with Gaza» dinamizado por Amjed Tantesh. Antes da guerra, Amjed ensinava as crianças de Gaza a nadar. A guerra tirou-lhe quase tudo, excepto uma vontade inabalável de continuar a trabalhar pelas crianças e agora está a pôr de pé o ambicioso projecto de criar piscinas ao longo da costa de Gaza para ensinar 10000 crianças a nadar.
No domingo, 17 de Maio, mostrámos o filme «An Orange from Jaffa» (Uma Laranja de Jaffa), a que se seguiu um animado debate.
O filme de Mohammed Almughanni conta a história de Mohammed, um jovem estudante palestino que está a tentar chegar a Jaffa, passando o check-point de Hizma depois de ter sido recusado em Qalandyia. O taxista Farouk, também palestino, arrisca que a sua viatura seja apreendida se as autoridades israelitas consideram que ele transporta ilegalmente Mohammed. Em pouco menos de 30 minutos, o realizador põe a nu a dura realidade de viver sob ocupação, a forma como o ocupante procura criar tensão e divisão entre os palestinos com a imposição de medida discriminatórias diferenciadas, mas também como uma forte identidade nacional, aqui simbolizada por uma laranja de Jaffa, mantém a coesão do povo palestino.